ROUPAS (OU PEQUENAS COISAS DE MENINO)
ROUPAS (OU PEQUENAS COISAS DE MENINO) Paulo Narley Arte de Rubens Barbosa (@designdeinterioresrb) Eu lembro bem de como era mágico entrar escondido no quarto dos meus pais, abrir a porta do guarda-roupas branco (do mesmo branco-solidão que preenchia as paredes da casa) e encarar o carnaval colorido que se encontrava ali. As roupas de mamãe exerciam um poder no meu fascínio de criança. Flores, bordados, rendas, cores, enfim, havia muito pano para a minha imaginação. Sentia um acelerar de coração sempre que entrava ali. Mesmo com a casa vazia, era como se eu pudesse escutar a voz do meu pai repreendendo meus trejeitos que não eram masculinos o suficiente. Lembro que passava alguns minutos encarando as peças, decidindo qual vestiria naquele dia. Não recordo bem qual era minha a idade à época, mas sei que era como um ritual. Ao escolher a peça, colocava-a em cima da cama, ia até o espelho e encarava meu corpo magro de menino. Despia-me, peça por p...